25/03/2012

O DESEJO DO POETA SOBRE A PALAVRA

Vazio, inadequação, rancor, volúpia e paisagens urbanas permeiam a poesia de Alexandre de Sousa

Em cadernos bem cuidados, Alexandre de Lima Sousa escreve poemas e contos. De fora, o processo é lento, quase como um ritual. Mas como é intensa a alma do artista! A caligrafia bem desenhada, quase feminina, sinaliza o zelo que o poeta tem pela palavra. A busca pela síntese marca sua obra.

A poesia chegou até ele pelas leituras que fazia de Carlos Drummond de Andrade e Lêdo Ivo, aos 14 anos de idade. Autor de "Cadernos" (2005), "Estado de Sítio" (2007) e "Depois do Sempre" (2011), Alexandre afirma que um bom poema é aquele que soa bem desde o instante em que é concluído e que jamais constrange o autor.

Alexandre é um poeta interessado. Lê como quem se alimenta: da literatura - prosa e poesia, nacional e estrangeira - ao caderno de esporte dos jornais, passando pela filosofia. Tem sede na música, no cinema e nas pessoas com quem convive. Seus poemas falam de vazio, inadequação, rancor, volúpia, paisagens urbanas devastadas, hipocrisias institucionais, moralismos de araque, fábulas, piadas, impressões megalomaníacas, confissões dolorosas e metalinguagem.

Alexandre está sempre atento aos poetas do seu tempo. Diz apreciar e acompanhar a poesia feita por outros poetas da cidade, mas sente falta de uma "procura" maior entre os diversos autores. "Só se entende quem se mistura. Eu sou bastante culpado, pois somente há pouco tempo venho buscando interlocução", diz.

Os desafios

Distribuição dos livros, falta de debate e um certo corporativismo estão, na opinião de Alexandre, entre as dificuldades de se criar poesia no Ceará. "São limitações que o pessoal do cinema começa a superar", diz referindo-se a produção audiovisual do Estado. Sobre a relação entre poesia e mercado editorial, Alexandre é otimista. "Um dia ainda vou vender, nem que seja pouco".

Sobre a política de editais de incentivo à literatura, ele diz ser de crucial importância. "Pelo menos três editais - Secult, Secultfor e BNB - vêm proporcionando que vários escritores, entre eles poetas, publiquem seus trabalhos. Em termos técnicos e burocráticos, são editais tranquilos para acesso", avalia complementando que os prêmios literários do Ideal Clube e da Universidade de Fortaleza (Unifor) também representam boas oportunidades.

O poeta

Alexandre de Lima Sousa nasceu em Fortaleza, em 1976. É poeta, letrista, filósofo e professor. Autor de "Cadernos" (2005), que em 2006 ganhou o Prêmio Rachel de Queiroz de melhor obra publicada, "Estado de Sítio" (2007) e "Depois do Sempre" (2011). Tem outros no prelo. Já foi três vezes contemplado com o Prêmio Ideal Clube de Literatura.

DALVIANE PIRES
ESPECIAL PARA O CADERNO 3

DIÁRIO DO NORDESTE _ Domingo, 25 de março de 2012
Anterior Proxima Inicio

0 comentários:

Postar um comentário

Scroll To Top