20/04/2009

INSTITUÍÇÃO ABRIGA CRIANÇAS HÁ DEZ ANOS SOB O CUIDADO DE MISSIONÁRIAS


De ternura e de dureza. Assim é feita a vida das 19 crianças e adolescentes que vivem na Casa Família Maria Mãe da Ternura, o primeiro abrigo de Maracanaú. A ternura vem do amor incondicional das sete religiosas católicas que mantêm o lugar, procurando amenizar ao máximo a memória do abandono e dos maus-tratos que eles sofreram nas famílias biológicas. Já a dureza vem da espera pela adoção e das próprias condições do abrigo, que vive basicamente de doações e precisa passar por uma reforma para atender melhor as crianças e os adolescentes abrigados no local.

Administrada pelas Irmãs Missionárias de Nossa Senhora das Dores, a instituição já recebeu, em dez anos de fundação, cerca de 70 crianças e adolescentes em situação de risco e que são encaminhadas para adoção. “Aqui nós procuramos proporcionar um lar, uma família. Eles até sentem uma certa resistência para ir embora quando são adotados, sem falar na saudade que sentimos. Mas muitos acabam ficando conosco até completar a maioridade”, comenta a coordenadora do abrigo, Irmã Karla Bezerra.

O cotidiano das crianças e adolescentes que vivem na Casa Família é simples e regrado, com horários específicos para cada atividade. Depois da escola, elas recebem reforço escolar dentro do abrigo, ofertado pelas próprias irmãs.

Além do estudo e das atividades para ajudar a manter a casa, elas têm os momentos de lazer, em que podem brincar no jardim e assistir televisão. Depois do jantar, às 20 horas, todos se reúnem na capela para fazer uma oração e, em seguida, vão dormir.

Um dos diferenciais das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora das Dores é que elas não têm espaços reservados. As vidas das religiosas se misturam com a das crianças e adolescentes atendidos. “Todo o espaço e tempo que temos é para elas. Nós sequer temos funcionários, tudo é feito por nós com a ajuda das mais velhas. Procuramos transmitir a elas a ternura e a responsabilidade, para que possam sair daqui agindo sob esses valores durante toda a vida”, disse irmã Karla.

Um exemplo dessa realidade é a criança mais nova do grupo, que foi encaminhada para a instituição há cerca de duas semanas. No berço, a pequena já mostra os olhos azuis vivos e brilhantes, apesar de ainda estar passando por tratamentos de saúde. A irmã que cuida da criança conta que a menina chegou apresentando micoses por todo o corpo e feridas na cabeça e no rosto, além de estar mal nutrida. A mãe biológica é usuária de drogas e também usava o bebê para pedir esmola nas ruas. Já o pai biológico da criança é desconhecido.

Além do cuidado com as que chegam, outra preocupação para as irmãs são aqueles que não são adotados e crescem dentro do abrigo. De acordo com a lei, eles só podem permanecer na Casa até completar dezoito anos. “Quando eles completam 15 anos, nós encaminhamos para cursos profissionalizantes e para os programas sociais do governo, como o ProJovem e o Juventude Cidadã. Mas nossa preocupação é grande”.

Mais informações:
Casa Família Maria Mãe da Ternura
(85) 3371.1495
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