18/09/2008

SIQUEIRA: POPULAÇÃO DIVIDIDA ENTRE MARACANAÚ E FORTALEZA

Se a dúvida a respeito dos limites entre os bairros já causa transtornos significativos para a população, a situação piora quando as incertezas ultrapassam as fronteiras municipais. No bairro do Siqueira, há mais de 30 anos os moradores não sabem a que município a área pertence, se à Fortaleza ou à Maracanaú, e são penalizados por essa indecisão.

Acesso à saúde, transporte e IPTU são os campos mais atingidos pela confusão entre os limites intermunicipais. A população quer fazer parte da Capital, mas há postos de saúde e escolas que pertencem à Maracanaú. O presidente da Associação Siqueira Sempre Unidos, Leandro da Silva, conta que esses problemas prejudicam com o crescimento do bairro.

Uma lei da década de 50 estabeleceu três marcos como limite entre a Capital e o município industrial: o riacho Urucutuba, o sangradouro da Lagoa do Jari e o sangradouro da Lagoa do Mingau. Até aí, o Siqueira pertencia a Fortaleza. Quando o IBGE estabeleceu os limites do bairro, desconsiderando a Lagoa do Jari como marco, o impasse teve início.

“Dizem que esses pontos já estão soterrados e não existem mais. Isso não importa, que seja adotada uma outra forma de fazer essa demarcação”, reivindica o presidente da Associação Siqueira Sempre Unidos. Leandro da Silva conta ainda que os moradores se organizaram e desde 2005 vêm promovendo audiências públicas e discussões a fim de chegar a uma resolução, mas até agora a situação continua do mesmo jeito.

Enquanto isso, obras de infra-estrutura, de escolas e postos de saúde aprovadas pelo Orçamento Participativo foram embargadas, estão inconclusas ou ainda não saíram do papel. Jovens enfrentam uma verdadeira batalha para solicitar a carteira de estudante e os imóveis se desvalorizam.
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